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E se o relativismo moral fosse seguido à risca?

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Taí uma hipótese que acredito que muito poucos relativistas morais pararam pra imaginar: Como seria o mundo se o relativismo moral fosse aceito universalmente?

Em um mundo 100% relativista, não poderia haver leis. Quer dizer… Até poderia, mas seria injusto. Quer dizer… Injusto não pode ser, pois também não existe justiça. Ok, então poderia haver leis sim. O problema é que o juiz não teria o dever moral de segui-las, portanto elas seriam totalmente inúteis. Ou seja: se elas são inúteis, então pra que criá-las? Assim, os deputados e senadores são totalmente dispensáveis (acho até que tô gostando dessa ideia).

Mas peraí! O próprio papel de juiz seria inútil, pois eu não teria o dever de te levar à justiça pra te prender. Bastaria que eu mesmo te levasse à força pra cadeia! Então, por que diabos alguém se disporia a estudar por 5 anos, depois fazer uma prova da OAB, depois um concurso de juiz, pra no fim das contas ficar em pé de igualdade com qualquer outro que nunca estudou nada?

Aliás, pra que estudar qualquer coisa? Eu tenho todo o direito de exercer medicina se eu quiser! Eu sempre tive o sonho de ser neuro-cirurgião, e vou começar hoje mesmo!

Mas peraí de novo! Se eu ficar doente, vou ter que procurar um médico… Como saber se ele realmente sabe de alguma coisa sobre medicina? Ah! O diploma! Mas peraí outra vez! A galera do CRM tem direito de dar diploma pra qualquer um, seja ele qualificado ou não. Ih…

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Relativismo moral

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Written by criticareligiosa

22/07/2011 at 0:00

Publicado em Agnosticismo, Ateísmo, E se...

Relativismo moral

with 2 comments

Conceito

O relativismo moral é a visão de que as afirmações morais ou éticas, que variam de pessoa para pessoa, são todas igualmente válidas e que nenhuma opinião sobre o que é “certo e errado” é melhor do que qualquer outra. O relativismo moral é uma forma mais ampla e mais pessoalmente aplicada de outros tipos de pensamento relativista, tal como o relativismo cultural. Estas são todas baseadas na ideia de que não exista um padrão definitivo do bem ou do mal, por isso cada decisão sobre o que é certo e errado acaba sendo um puro produto das preferências e ambiente de uma pessoa. Não existe um padrão definitivo de moralidade, de acordo com o relativismo moral, e nenhuma declaração ou posição pode ser considerada absolutamente “certa ou errada”, “melhor ou pior”.

(allaboutphilosophy.org)

Argumentação

A argumentação pode ser mostrada de forma simples, como uma única premissa, conforme abaixo:

  1. Não há valores (certo e errado) absolutos.

Concordo que apresentar o relativismo moral como uma única premissa é algo muito simplório, e que essa premissa, na verdade, é uma conclusão que segue de alguma outra premissa. Porém, seja qual for a “premissa dessa premissa”, ela será irrelevante para o propósito desse post, pois pretendo analisar apenas a premissa acima.

Crítica

Segundo o relativismo moral, todas as ideias morais que temos são apenas opiniões, sem base na realidade. Portanto, a situação fica parecida com a do relativismo “genérico”: como não há uma realidade na qual possamos nos apoiar, se eu discordo de você em algum assunto relativo à moral, nunca poderemos saber qual dos dois está certo, pois esse conceito (certo e errado) não existe. Dessa forma, qualquer discussão sobre moral é inócua, pois ainda que cheguemos a um consenso, esse consenso continuará sendo uma mera opinião.

Partindo dessa linha de raciocínio, somos tentados a concluir que nenhuma atitude, por mais que nos pareça errada, é passível de crítica. O problema é que esse raciocínio tem um erro sutil: ele pressupõe a existência de uma moral absoluta. Ora, se não há certo ou errado, como posso dizer que é errado fazer críticas? Portanto, se vejo algo que me parece errado, como um soldado nazista fuzilando um judeu, continuo tendo o direito de criticar. O problema aqui é que não posso exigir que a outra pessoa atenda às minhas críticas. Na verdade, como não há certo ou errado, a outra pessoa não tem o dever moral de analisar, ou mesmo de ouvir minhas críticas. Isso leva à impossibilidade de diálogo, e consequentemente à intolerância.

A outra opção que tenho quando me confronto com algo que me parece errado é aceitar e me calar, pois esses conceitos morais são só meus. Aqui surge um problema: se meus conceitos pessoais de certo e errado não significam nada na realidade (fora da minha pessoa), então por que mantê-los, mesmo para mim mesmo? Que utilidade eles têm? Por que me obrigo a segui-los?

Nesse ponto, já deve ter ficado claro que dentro do relativismo moral os direitos são totais, e inexistem deveres. A própria noção de justiça cai por terra, pois se não há certo ou errado, nada pode ser considerado justo ou injusto. Qualquer discussão sobre assuntos morais é simplesmente irrelevante.

E é aqui que a coisa se complica de forma irremediável: se não há deveres, então não tenho obrigação nem mesmo de agir racionalmente. Absolutamente qualquer coisa que eu pense ou faça é justificável, por mais irracional que possa parecer aos outros ou até a mim mesmo. A consequência, então, é que, na prática, o relativismo moral acaba nos levando às mesmas consequências do relativismo “genérico”: se não tenho compromisso com a razão, qual é a utilidade de buscar a verdade absoluta? Se não é errado  acreditar em algo que claramente seja falso, como 2+2=5, então a própria razão é inútil, e a verdade absoluta é totalmente irrelevante.

Conclusão

Assim como o relativismo “genérico”, o relativismo moral torna a razão totalmente inútil, impedindo qualquer discussão séria.

E por fim: se o relativismo moral é verdade, então o fato de ele ser verdade é totalmente irrelevante, pois ele mesmo me exime da obrigação de acreditar nele.

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Relativismo

Written by criticareligiosa

19/07/2011 at 0:00

Publicado em Agnosticismo, Ateísmo

Relativismo

with 3 comments

Conceito

(…) Assim podemos concluir que o Relativismo é um termo filosófico que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Todo ponto de vista é válido.

Na filosofia moderna o relativismo por vezes assume a denominação de “relativismo cético”, relação feita com sua crença na impossibilidade do pensador ou qualquer ser humano chegar a uma verdade objetiva, muito menos absoluta. (…)

(wikipedia)

Frequentemente vejo confusão com esse termo, portanto é importante frisar aqui: o relativismo a que esse post se refire não significa afirmar a existência de verdades relativas, mas negar a existência de verdades absolutas.

Argumentação

A argumentação na verdade é bem simples, com apenas uma premissa, sem necessidade de conclusões:

  1. Não há verdade absoluta

Crítica

Já de início, temos um problema: definir se a premissa pretende ser absoluta ou não.

O relativismo é absoluto

Se partirmos do pressuposto que a premissa é absoluta, então o próprio pressuposto derruba automaticamente a premissa, afinal, se a premissa é absoluta, então há pelo menos uma verdade absoluta: a própria premissa. Nesse caso, a argumentação cai numa redução ao absurdo, provando ser falsa.

O relativismo é relativo

Assim, só nos resta pressupor que a premissa não é absoluta, mas relativa. Nesse caso, o problema que aparece é outro: o próprio conceito de verdade muda. Se nada que consideramos verdadeiro é absolutamente verdadeiro, então qualquer verdade pessoal é uma mera opinião, ou seja: verdade e opinião se transformam na mesma coisa. E esse caminho nos leva a outro absurdo: se dois indivíduos têm opiniões divergentes sobre um assunto, por definição ambas devem ser consideradas verdades. A consequência é que não adianta travar uma discussão para debater o tema, com o intuito de tentar descobrir qual das opiniões é a verdade absoluta, pois esse conceito simplesmente não existe. Ainda que um dos indivíduos consiga convencer o outro, o resultado ainda será uma mera opinião. Dessa maneira, qualquer discussão sobre qualquer tema é totalmente irrelevante, pois nunca levará a um conhecimento real.

Ainda que não houvesse absurdo

Suponha que queiramos ignorar os argumentos acima, e simplesmente suponhamos que o relativismo pode ser verdadeiro. Vejamos um exemplo prático: suponha que dois indivíduos, ambos relativistas, divirjam sobre a afirmação “o número 15 é um número primo”. Ainda que um deles saiba que 5 x 3 = 15, terá que aceitar a verdade do outro, afinal, essa é só sua opinião, e outros têm todo direito de ter sua própria opinião sem serem criticados.

Conclusão

Se o relativismo é verdadeiro, e pretende ser absoluto, então ele é automaticamente falso.

Se o relativismo é relativo, então ele é apenas uma opinião, sem valor algum em um debate sério.

Ou seja: na melhor das hipóteses, o relativismo é irrelevante.

Veja também

Relativismo moral

Written by criticareligiosa

18/07/2011 at 0:00

Publicado em Agnosticismo, Ateísmo